Tenho tanta saudade de mim...

domingo, setembro 14, 2014

Cantiga de sapos

A quem é frio, anuro.

Será que enganas meu coração?
Maiores que as cicatrizes que te pertencem
São aquelas que me desfiguram a alma
Antiquíssimas, belas e cruentas,
Exsudam com as lágrimas que evanescem.

O corpo – torpe afã
De morte, sangue, gozo animal
Estremece extático no teu lamaçal:
Cama tua – imundícies e o mal.
Na calada da noite tu foges
Teu silêncio covarde, marginal
Só revela que és um açoite
Escarneces não defronte
Já que és pútrido, venal.

De ti sem receios corro
O regozijo que foi pouco afinal
Não me preenches mais com teu jorro
Líquido espesso
Cuspe, asco, gemidos
Teu espasmo terminal.

E mais uma vez encerro
O desencontro sinérgico de meus dias
Será que amanheço baço
Ou me enterro num buraco de jias?
Coaxar cantigas de outrora
No sal contra pele queimar
Lembrar não a ira que aflora
E só desta dor orgânica me fartar.

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