Existe
pela tensão de superfície
de átomos milhares,
os hidrogênios aos pares
em ligações covalentes
com o ar que respiro.
Repousa num vinco
de folha verde escuro
de meus quintais,
precipita do céu e da face,
insinua-se entre tetos antigos
de casas sob temporais
e do orvalho da manhã também nasce.
No meio de sua imensidão quântica
bailam elétrons e íons:
estas partículas diáfanas
que emprestam seu brilho,
refletindo em si
a inteira paisagem.

